Caso do senador não altera relações entre Brasil e Bolívia, diz Figueiredo

A presidente Dilma Rousseff após encontro bilateral com o presidente da Bolívia, Evo Morales, em Paramaribo, no Suriname (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)


O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, afirmou nesta sexta-feira (30) que o episódio da fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina “não irá alterar” as relações entre Brasil e Bolívia. O ministro participa, ao lado da presidente Dilma Rousseff, da cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), no Suriname.
Segundo informou o “Blog do Planalto” por meio de sua conta no Twitter, Figueiredo afirmou que a Bolívia não fez pedido de extradição do senador Pinto Molina, que deixou a embaixada brasileira em La Paz sem autorização prévia dos países.
“Episódio do senador não irá alterar as relações do Brasil com a Bolívia", disse o ministro durante entrevista, de acordo com o “Blog do Planalto”.
Dilma Rousseff, ainda de acordo com o blog, reuniu-se por uma hora com Evo Morales antes do início da cúpula. Segundo Figueiredo, a presidente “demonstrou ao presidente Evo seu repúdio ao episódio de retirada do senador Pinto da Bolívia”.
Pinto Molina deixou no último final de semana a embaixada do Brasil em La Paz rumo ao Brasil, onde permanece. Condenado pela justiça boliviana, o senador se diz perseguido político do governo Evo Morales e vivia como asilado na embaixada brasileira havia mais de um ano.
A vinda de Molina ao Brasil foi organizada pelo encarregado de negócios, diplomata Eduardo Saboia, que acabou afastado do cargo. Saboia disse que articulou a viagem de Molina para o Brasil porque "havia o risco iminente à vida e à dignidade do senador".
Durante a semana, a presidente Dilma Rousseff criticou a operação e disse que o risco a que foi submetido o boliviano é “inaceitável”. Após o episódio, o ex-ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, foi demitido do cargo. Em seu lugar, assumiu Luís Alberto Figueiredo.
O chanceler Figueiredo afirmou ainda que o pedido de refúgio do senador será analisado pelo Conare (Conselho Nacional de Refugiados). De acordo com o Ministério da Justiça – pasta à qual o conselho é subordinado -, o pedido de refúgio ainda não foi recebido pelo órgão.
Síria
Luiz Alberto Figueiredo reafirmou a posição do governo brasileiro em relação ao suposto uso de armas químicas durante os conflitos na Síria.
“A posição do governo brasileiro é muito firme de que o uso da força na Síria precisa da anuência das Nações Unidas”, disse o ministro, de acordo com o “Blog do Planalto”. “Qualquer decisão sobre a Síria fora da Carta da ONU é ilegal”.
Em 21 de agosto, a oposição síria denunciou mais de mil mortos em um massacre com uso de armas químicas. O governo nega apesar de países do Ocidente apontarem evidências em contrário.
Observadores da ONU foram autorizados a irem até o local para investigar se houve uso de armas químicas. Se confirmado, o incidente pode se tornar o mais grave com uso de armas químicas no planeta desde os anos 1980.

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